domingo, 4 de setembro de 2011

XI- Lisboa, cheia de encantos e beleza

Até recentemente, em meus planos de viajar pela Europa, sozinha ou não, Portugal não se incluía. Acho que também nos planos de muitos brasileiros, ainda que tantos de nós tenhamos comemorando a bonita festa do dia 25 de abril de 1974, que ficou conhecida como a “Revolução dos Cravos”, merecendo até uma música de Chico Buarque (Tanto Mar). Tantas léguas, tanto mar a nos separar até que, há três anos, para enorme felicidade, aterrisei em Lisboa.
A primeira impressão, logo no aeroporto, se você é um mero CPLP (Cidadão de Países de Língua Portuguesa) e não um privilegiado CPCE (Cidadão de Países da Comunidade Européia), talvez não seja muito boa. Uma fila enorme, que não anda, exatamente porque esses passageiros são os mais questionados pelos funcionários/policiais que os atendem e concedem o visto de entrada no País. Afinal, existem milhares de brasileiros e africanos (provenientes de antigas colônias portuguesas na África) em situação irregular em Portugal.
Pois bem, passado esse primeiro stress, relaxe e comece a curtir a velha cidade que, realmente, é cheia de encantos e beleza. Antes, contudo, uma recomendação: o humor dos portugueses é um tanto peculiar, digamos, bem diferente da irreverência, às vezes um tanto exagerada dos turistas brasileiros. Dois cuidados com os motoristas de táxi: 1) a menos que eles lhe dêem total abertura, não vá lhes perguntando o que é isso, o que é aquilo, para não correr o risco de receber como resposta a de que o serviço não inclui um guia de turismo; 2) em nenhuma hipótese, chame-o de “moço”, pois ele ficará realmente ofendido. Aliás, não chame nenhum profissional de “moço”, pois isso quer dizer que ele é um aprendiz, que não tem experiência adequada para exercer a profissão, que é um subalterno, enfim, esqueça a palavra.     
A melhor época para conhecer Portugal é de maio a setembro. Os meses de julho e agosto são os mais quentes e os mais caros. Em abril e outubro, as condições meteorológicas são mais instáveis, sua viagem pode ser comprometida pelo mau tempo. De novembro a março os preços são menores, mas as chuvas são constantes, e sempre acompanhadas por muito vento e frio.
Identidade
A coisa mais forte que senti, logo de cara, foi a identidade. Como se aquela cidade, aquele mundo, fizesse parte de minha própria história (e faz). Eu estava na Europa, falando português. Às vezes me sentia no centro do Rio de Janeiro, às vezes em Salvador, Recife, São Luís do Maranhão, Ouro Preto, ladeiras, calçadas, comidas, nomes de localidades que me lembravam o Brasil, como Alcobaça e rua Augusta. Estava em casa. Como me ressenti da falta de atenção nas aulas de História, nos tempos da minha infância e juventude.
Um amigo me pediu algumas dicas sobre lugares a serem visitados em Lisboa, motivando-me a escrever esse texto. Vou, então, tentar resumir o que faria em quatro dias, é óbvio, sem esquecer as indicações dos guias turísticos.

Primeiro dia: Restauradores, Rossio (na Baixa) e Chiado

O tradicional Café "A Brasileira"

Desça, de preferência pela Av. Liberdade, desde a Praça Marquês de Pombal, em direção à Baixa, tomando contato com a cidade velha. Se estiver com fome, pare na Pastelaria Suíça (na Praça D. João IV), que, na verdade, é um enorme restaurante, com mesinhas na calçada, de onde você poderá, prazerosamente, ver a vida passar, tomando um chope bem gelado e comendo uma porção de bacalhau, de vários tipos, a preços de pratos executivos.

O por do sol é fantástico no Miradouro
Depois, siga pela rua Augusta até o portal (Arco do Triunfo) que dá acesso à Praça do Comércio, onde o Tejo se mostra com toda sua grandiosidade. Nessa praça existe um Posto de Informações Turísticas e por ela passam muitas linhas de ônibus e troleibus que vão para vários partes da cidade. Em seguida, volte pela rua Augusta e suba pelo Elevador de Santa Justa, ou à pé, para o Chiado[1]. Primeira parada, o belo e tradicional café “A Brasileira” (rua Garret, 120), fundado em 1905, e que foi um secular ponto de encontro de intelectuais portugueses, entre eles Fernando Pessoa, cuja estátua foi erguida no local. Nas proximidades, a praça Camões e as ruínas da Igreja do Carmo, que resistiu ao grande terremoto de 1755, considerada o símbolo de Lisboa. Finalmente, desça em direção ao Miradouro de Santa Catarina[2], pela rua que tem o mesmo nome. Um lugar meio alternativo, bastante freqüentado por jovens, no final da tarde, de onde se pode apreciar o belíssimo por do sol no Tejo e tomar uma ótima cerveja gelada, vendida em um único quiosque. No local existe a Estátua do Adamastor (figura criada por Camões, nos Lusíadas), e por isso o local é também conhecido como Miradouro do Adamastor.
À noite, suba para o Bairro Alto, nunca antes das 21 horas. Os táxis vão lhe deixar em uma praça[3] de onde você subirá dois ou três quarteirões onde se concentram cerca de 200 bares e restaurantes. Não se preocupe ao fazê-lo, pois este é, também, um bairro residencial. As opções para jantar são muitas, e também de casas de fado (eu nunca entrei em uma delas).  E, para finalizar, vá ao bar Portas Largas (rua Atalaia, 103-105).
Acho que esse bar é gerenciado por uma brasileira, com sotaque nordestino, que administra o local com mão de ferro. O lugar, que já foi um ponto tradicional, internacionalmente conhecido por ser exclusivo do público GLT, atualmente é freqüentado por qualquer tipo de pessoa, não importando a opção sexual. Ali, o chope é gelado e os drinks são bem feitos. O difícil é encontrar lugar para sentar.

Segundo dia: Castelo São Jorge, Alfama e passeio de barco pelo Tejo.
 Alfama é um bairro que merece um bom tempo para se conhecer. Existem vários pontos turísticos sendo que, no ponto mais alto, está o Castelo de São Jorge. A edificação ergue-se em posição dominante sobre a mais alta colina do centro histórico (111 metros acima do nível das águas do Tejo), proporcionando aos visitantes uma das mais belas vistas sobre a cidade. Pode-se descer à pé, parando em algum restaurante para tomar um delicioso caldo[4], acompanhado de pão e uma encorpada taça de vinho o que, simplesmente, substitui o almoço.
Se estiver com tempo, faça um tour de barco pelo Tejo. O passeio mais comum percorre o trecho entre as duas principais pontes: a 25 de abril (inaugurada em 1966, com o nome de Ponte Salazar), uma das maiores pontes suspensas da Europa, e a Ponte Vasco da Gama, com cerca de 17 km de comprimento. O passeio é longo, mas tem-se uma vista linda de toda a cidade. Os barcos saem de um local próximo à Praça do Comércio, em horários variados e com preços diversificados.
Voltando pela rua Augusta até o Rossio você chega ao Largo São Domingos, n. 8, onde está a famosa “Ginginha”, um lugarzinho onde se vende uma cachaça feita à base de uma fruta chamada Ginja. Nesse Largo, existe um monumento ao massacre dos judeus em Lisboa, em 1506, e é também um ponto de encontro das comunidades africanas que vivem em Lisboa.
À noite, uma alternativa é buscar no hotel a indicação de uma boa casa de Fado, em Alfama, onde estão concentradas as melhores opções, as quais, inclusive, inspiraram o cineasta espanhol Carlos Saura, em seu filme "Fado".

Terceiro dia: Belém e adjacências.

Reserve um bom tempo para o Mosteiro
De ônibus ou trem, chegar a Belém é facílimo, pois é muito perto do centro de Lisboa. A primeira parada, é o Mosteiro dos Gerônimos, considerado patrimônio mundial pela Unesco e, em julho de 2007, foi eleito como uma das sete maravilhas de Portugal. O lugar é maravilhoso, sendo que em um dos salões existem painéis alusivos ao que acontecia ao longo dos séculos no mundo, em Portugal e, a partir de 1500, no Brasil. É como se a gente visse toda a nossa história se desdobrando diante de nossos olhos. Quase ao lado do Mosteiro dos Jerônimos, fica o interessantíssimo Museu Nacional dos Coches.
Em Belém, existem vários outros pontos turísticos, como a Torre de Belém, o Palácio de Belém e o local onde se vende o famoso Pastel de Belém. Dependendo da época, você ficará muito tempo na fila para comprar a iguaria. Eu, particularmente, não achei que isso fosse tão importante, mas... Logo em frente, do outro lado da rua, existem dois bons restaurantes, onde se oferece boa comida, a preços razoáveis.
De Belém, é fácil seguir para Estoril ou Caiscais, de trem, mas só vale a pena se for verão. As praias não chegam nem aos pés das brasileiras, a água é gelada, e tudo é muito caro. O aluguel de uma barraca de praia no Estoril, por exemplo, fica em torno de 9€.
Uma sugestão para a noite, é ir a um dos restaurantes que ficam na rua das Portas de Santo Antão, bastante movimentada, próxima ao Rossio,

Quarto dia: Sintra, Évora ou Parque das Nações
De trem, é possível ir e voltar no mesmo dia a Sintra e visitar alguns de seus lugares maravilhosos e românticos como o Castelo dos Mouros e o Castelo da Pena. Da mesma forma, outro lugar imperdível é Évora, na região do Alentejo, onde fica a famosa Capela dos Ossos. Em ambos os locais, os vestígios da influência dos árabes na Península Ibérica, onde permaneceram por cerca de 800 anos. Os núcleos históricos de ambas as cidades são incrivelmente parecidos com Ouro Preto, só que menos rústicos.
Caso você não queira sair de Lisboa, uma ótima opção é conhecer o lado moderníssimo da cidade e visitar o Parque das Nações, uma zona nobre de Lisboa, onde foi montada a “Expo 98”[5]. O local oferece inúmeras atrações, como o Oceanário, o Pavilhão da Realidade Virtual, o Pavilhão do Conhecimento; ver concertos ao vivo no Pavilhão Atlântico; andar de teleférico; fazer compras no Centro Comercial Vasco da Gama.


[1] Eu subiria à pé pois, no caminho, existem umas lojas muito interessantes.
[2] Conta-se, segundo a Wikpedia, que foi deste miradouro, junto ao Chiado que o general francês Junot assistiu impotente à partida da frota transportando a família real portuguesa para o Brasil, em novembro de 1808. Daí a expressão popular, sinônima de frustração: «ver navios do Alto de Santa Catarina».
[3] Guarde bem o local, pois é para onde você se dirigirá para pegar o táxi de volta para o hotel.
[4 Os caldos, de diversas variedades, oferecidos em qualquer restaurante, são deliciosos, baratíssimos e muito substanciais, podendo, perfeitamente, substituir o almoço.
[5] A EXPO'98, ou, oficialmente, Exposição Internacional de Lisboa de 1998, realizou-se em Lisboa, de 22 de Maio a 30 de Setembro de 1998. O parque foi construído sob o tema "Os oceanos, uma herança para o futuro" e contou com a participação de cerca de 142 países e organizações internacionais.

domingo, 21 de agosto de 2011

X- Com a segurança, todo o cuidado é pouco

Certa vez, ao atravessar uma movimentda avenida, quando estava bem no meio da pista, percebi um homem caminhando em minha direção. Eu senti um arrepio pelo corpo inteiro e, instintivamente, apertei minha bolsa contra o peito e parei. O sinal já estava piscando, avisando que iria fechar para o trânsito de pedestres, mas eu não me movi. Não poderia virar as costas para o estranho e correr, pois, seguramente, ele seria mais rápido. O semáforo abriu para os veículos, mas, surpreendentemente, nenhum motorista avançou enquanto eu me mantinha imóvel e o homem saia correndo, desaparecendo entre os carros.
Eu conto essa história somente para dizer às mulheres que estão viajando sozinhas para confiarem no sexto sentido. Nas fêmeas, ele é mais aguçado, exatamente porque são fisicamente mais frágeis e, em geral, cabe a elas a defesa das crias. Quando você, interiormente, sentir aquela luzinha vermelha de “perigo” piscando, fique atenta e siga seu instinto, mesmo que a situação seja muito tentadora.
Em nenhuma hipótese, se arrisque a andar sozinha por lugares ermos e solitários, como grandes parques, ruas e praias desertas, durante o dia ou à noite. Ande com dinheiro trocado para o ônibus ou metrô guardado em lugar fácil de ser retirado, para que não tenha que manusear sua carteira em público. Ande pelo meio da calçada, com a bolsa pendurada para o lado interno, nunca para o lado da rua. Na Itália, por exemplo, é comum os batedores atuarem em dupla. Eles passam nas vespas em alta velocidade e o da garupa puxa com força a bolsa da pobre transeunte: ninguém consegue pegá-los. Ande com as mochilas na frente do corpo.
O óbvio: não aceite ajuda de estranhos para utilizar as máquinas para compra de bilhetes para o metrô ou qualquer outro tipo de locomoção. Não forneça a qualquer um o nome do hotel onde está hospedada e, muito menos, o número do apartamento. Não alardeie que está viajando sozinha (se for o caso, diga que está indo encontrar amigos). Em locais de grande aglomeração, não consuma bebidas vendidas em doses, pois nunca se sabe com o quê elas podem ter sido adulteradas.
Procure sempre um guarda para lhe prestar informações, ou recorra aos idosos (já disse em outro texto), pois eles sempre são muito prestativos. Saia com outro documento de identidade que contenha sua foto, e guarde o passaporte onde você estiver hospedada. De preferência aos travel cards, pois, em caso de roubo, o problema será menor que com seus cartões de crédito convencionais. Carregar quantia maior de dinheiro, somente na porchete apropriada, por baixo da roupa. Em bares, se sozinha, nunca fique sentada de costas para portas e/ou janelas. Se estiver em um café, na calçada, procure uma mesa rente à parede. Em hipótese alguma aceite transportar qualquer tipo de volume ou mercadoria, a pedido de terceiros, seja quem for, seja qual for a justificativa.
Problema sério, em Buenos Aires
Finalmente, os táxis. Em geral os serviços de táxi são seguros, em qualquer parte. Mas, em se tratando de Buenos Aires, aquelas recomendações habituais não bastam. Existem verdadeiros marginais trabalhando em frotas que não possuem qualquer tipo de controle público. Portanto, no aeroporto se informe junto ao serviço de atendimento ao turista, ou a qualquer segurança, onde ficam os guichês de companhias autorizadas, nos quais os preços são pré-fixados, de acordo com o destino, ou o pagamento é feito antecipadamente, por cartão. Se, por um acaso, o motorista parar o carro, alegando que o veículo estragou, não aceite a sugestão de pegar o táxi que vem logo atrás. Jamais aceite pagar a corrida em qualquer outra moeda, que não a do país.
 No mais, em relação aos táxis, as recomendações são as mesmas, para qualquer outro lugar: caso precise, peça na recepção do hotel que eles chamem um carro para você. Se gostar do atendimento, peça o número do telefone do motorista, para chamá-lo, em outras oportunidades. Se você não conhece bem a cidade, tenha sempre à mão um mapa, para a eventualidade de ter que ajudar o motorista a se orientar melhor. No mais, boa viagem

domingo, 14 de agosto de 2011

IX- Cuba, por que não?

Os cubanos dizem que eles só vão à praia nos meses que não têm R: maio, junio, julio e agosto. Isso, por causa da temperatura da água no verão, morna como as das nossas praias do nordeste. Pois bem, acho que essa também é uma boa época para você curtir as suas férias naquela fantástica ilha do Caribe. É que, a partir de outubro, com a proximidade do inverno, começa a temporada chuvosa, com risco de furacões.
Quando o assunto é Cuba, a gente sempre tem uma reação positiva ou negativa, ideológica ou política. Uma coisa, contudo, é consensual: o país é lindo e o povo é maravilhoso, muito parecido com o nosso. Bem ou mal, eles sempre encontram um motivo para cantar e “bailar”. A mistura das raças branca e negra[1] resultou em um tipo que muito se assemelha ao dos brasileiros.
O belo Hotel Nacional
Por essas e outras é que eu acredito que você, em vários momentos, se sentirá em casa. E uma casa mais segura do que aqui, nas nossas grandes cidades. Como em qualquer outro lugar do mundo, eles têm  os seus marginais, ladrões, batedores de carteira, mas, um cubano pensa duas vezes antes de molestar um turista. Em primeiro lugar, por que as penas por lá são pesadas; em segundo, o Governo cubano faz o possível (e quase o impossível) para garantir a segurança dos turistas, pois eles representam uma importantíssima entrada de divisas para aquele país tão carente. Afinal, enfrentam o bloqueio dos Estados Unidos (e da maioria de seus aliados) há exatos 52 anos. De qualquer forma, pelo sim, pelo não, dê um cuidado redobrado a seus óculos escuros, principalmente se eles forem daquelas grifes famosas.
É importante dizer, ainda, que além do bloqueio externo, o povo cubano também enfrenta o bloqueio interno, ou seja, restrições para um livre contato com o resto do mundo, diferente de nós, tão globalizados. Nesse sentido, os turistas, para eles, representam uma fonte enorme de informações sobre o que acontece além mar. E os brasileiros, por eles, são absolutamente bienvenidos.
Intercâmbio
Para se chegar a Cuba, saindo do Brasil, uma boa alternativa é ir pelo Panamá. A sua agência de viagens poderá orientá-la com relação aos pacotes disponíveis para turismo individual. Outra opção é consultar alguma das dezenas de entidades que promovem o intercâmbio Brasil/Cuba, sendo que as mais conhecidas são as Associações Culturais “José Marti”.[2] Todas elas mantêm estreito relacionamento com o Instituto Cubano de Amizade com os Povos (Icaip).[3] Por meio delas, você poderá se informar das muitas possibilidades de participar de um Congresso ou outro evento similar, de cunho técnico/científico, em várias áreas, sobretudo educação e saúde. Eventos culturais importantes, como o Festival Internacional de Cinema de Havana, fazem parte de um vasto e atrativo calendário. Essas entidades costumam, também, organizar brigadas de solidariedade, como para cortar cana ou colher laranjas, das quais participam centenas de brasileiros. Fica a seu critério...
Chegando a Cuba, não faça o que você não quer que façam com você, em hipótese alguma, que é dar palpite “de fora” sobre a situação do país. Quer coisa mais irritante que um jovem francês, fanático por Glauber Rocha, ficar nos cobrando uma "revolução" no Brasil? Não vá a Cuba para discutir política, alugar um cubano sobre o que ele deve ou não fazer. Os cubanos, independentemente de apoiarem ou não o atual regime, são muito orgulhosos de sua história. Isso é impressionante! Eles já fizeram pelo menos duas revoluções, portanto, deixe que a história se encarregue do que for preciso. Vá a Cuba se divertir, passear e conhecer o que eles conseguiram de melhor, apesar das dificuldades, nas muitas áreas nas quais são exemplares. E a Saúde, indiscutivelmente, é uma delas.
Sugestões
Pois bem, dito isso, vamos aos fatos, ou melhor, às sugestões. Eu sempre gosto de ler algum livro, romance ou não, que me informe sobre o país que estou visitando. Se estivesse indo, por exemplo, ao Haiti, indicaria “O reino deste mundo”, de Alejo Carpentier, ou “A Ilha sob o Mar”, de Isabel Allende. Em Cuba, você vai conhecer e amar La Habana vieja, lendo o livro “Cecília Valdes” (1839), de Cirilo Villaverde, um dos maiores clássicos da literatura cubana, finalmente lançado no Brasil pela editora Veredas. É claro que podemos incluir aqui, também, os livros escritos por Ernest Hemingway, ambientados em Cuba, a começar pelo “O Velho e o Mar”.[4]  Aproveite para tomar os drinques favoritos do escritor, mojito e daiquiri, no La Bodeguita Del Médio e no Floridita, respectivamente.
O monumento a Hemingway, em Cojimar
Por falar em Hemingway, um lugar imperdível, pertinho de Havana, é Cojimar, a aldeia de pescadores onde ele conheceu o “velho” que veio a lhe inspirar o livro que o qualificou para o Prêmio Nobel de Literatura de 1954. Os próprios pescadores ergueram uma estátua em sua homenagem e existe (existia?) um restaurante bem rústico, cuja especialidade são frutos do mar. Você pode contratar um táxi para levá-la e buscá-la, pagando em torno de US$ 20,00.  A última vez que estive lá, e faz algum tempo, o lugar ainda estava protegido do turismo intenso.
Pagando o mesmo preço, você poderá dedicar um dia a ir a Santa Maria del Mar, uma praia linda, a poucos quilômetros da capital. Mais longe, outro passeio imperdível é ir a Varadero, onde se situa o ponto geográfico mais próximo de Miami, nos Estados Unidos. De lá, pagando por volta de US$ 100,00 a mais, chega-se a Cayo Largo, um arquipélago aonde são oferecidas opções sofisticadas de passeios, incluindo mergulhos em alto mar ou uma ilha para nudistas. Não sei se eles mudaram as condições de transporte para o local, mas eu tive que enfrentar um bimotor soviético (na época a URSS ainda existia), utilizados por pára-quedistas na segunda guerra mundial.
O que se percebe de Cuba hoje, como ocorreu no Brasil, nos tempos do general Figueiredo, é que está acontecendo uma abertura política (e econômica) “lenta, gradual e segura”. Entre estas, a permissão para alguns empreendimentos privados, como os restaurantes familiares chamados Paladares.[5] Nos hotéis você poderá conseguir os endereços e, além de desfrutar de uma deliciosa comida típica e caseira, irá fazer uma significativa economia.
À noite, você poderá fazer uma caminhada pela avenida “Malecon”, que fica a beira-mar de Havana, e se enturmar com os grupos que ficam por ali, ouvindo música, cantando, namorando e bailando. Os principais hotéis também oferecem boas alternativas, mantendo seus próprios cabarés ou boates, como o Habana Livre, National ou o sofisticado Riviera. Não deixe de dar uma passada no jazz club “La Zorra y el Cuervo”, (calle 23, 155, Vedado). Você poderá ir, tranqüilamente, a qualquer um desses locais nos quais, certamente, não ficará sem dançar. É que os homens cubanos, ao contrário dos brasileiros, bailam: e como!
Finalmente, eu sei que esse blog é freqüentado por muitos homens, e eles que nos perdoem, mas os cubanos são muito sedutores, com o agravante, como disse acima, de gostarem de dançar. Então, a chance de você, viajante solitária, ser abordada de uma forma que há muito não acontece aqui no Brasil, é grande. Seu ego pode tomar um impulso inusitado. Mas, tome cuidado, porque homem é homem em qualquer parte do mundo, tem de todo o tipo, fique esperta e divirta-se.








[1] Não incluo a raça indígena porrque em Cuba a sua influência na composição do biótipo daquela população é insignificante, uma vez que os índios foram totalmente dizimados logo no início da colonização espanhola.
[2] José Julián Martí Pérez (Havana, 28 de janeiro de 1853) foi um político, pensador, jornalista, filósofo, poeta e maçom cubano, criador do Partido Revolucionário Cubano (PRC) e organizador da Guerra de 1895 ou Guerra Necessária. Origem: Wikipédia.
[3] Entre no Google e escreva intercâmbio Brasil/Cuba ou Associação José Marti.
[4] Hemingway morou muitos anos na Ilha. Seu nome está muito associado a este país, não somente por ter morado lá, mas especialmente por uma de suas obras mais famosas, “O velho e o mar”, se passar em Cuba. Outros romances que se passam em Cuba são: “As ilhas da corrente” e “Ter e não ter”.
[5] Paladar significa restaurante particular (não pertencente ao governo) e surgiu como referência ao nome do restaurante da personagem Raquel (interpretada por Regina Duarte) na novela brasileira Vale Tudo, exibida em 1988.

domingo, 31 de julho de 2011

VIII- Roteiros em Paris

Para as moças, de todas as idades, sozinhas em Paris, existe um Guia muito legal, principalmente para quem tem pouco tempo e quer aproveitá-lo o máximo possível. Os editores organizaram cinco sugestões de roteiros, agrupados por pontos turísticos bem próximos uns dos outros, de forma que você poderá dedicar um ou dois dias inteiros para cumprir cada um deles, parando de vez em quando em um café para recuperar as energias, quem sabe tomar uma deliciosa sopa de cebola gratinada (soupe a l’oignon), especialidade dos franceses: uau![1].
Eles fazem um resumo histórico de cada lugar. O Guia[2] informa os endereços (incluindo os telefones), os ônibus e linhas de metrô, horários de funcionamento, se o acesso ao local é grátis ou se o preço é moderado ou caro, o site, além de um mapa indicando cada localidade a ser visitada. A publicação apresenta, ainda, uma relação de hotéis e restaurantes (com preços variados), sugestões de locais para compras e entretenimentos, uma relação de serviços e informações úteis, entre essas o endereço do Consulado do Brasil. Finalmente, eles dão ótimas e completas dicas de passeios fora do centro de Paris, como o Bois de Boulogne ou Versailles. Você nem vai se lembrar de que está sozinha.
Roteiros no Centro de Paris
Os roteiros são:
1-  Arredores da Torre Eiffel: Champ de Mars, Les Invalides, Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris, Musée d’Orsay (imperdível), Musée Rodin, Palais de Chaillot, Passerelle Solferino, Pont Alexandre III, Pont de l’Alma, Ponto de Bir-Hakeim, Torre Eiffel, Tour Montparnasse.

O Sena, visto da Pont des Arts
2-  Quartier Latin, St-Germain e Ilhas. É o maior roteiro e, certamente, você não conseguirá fazê-lo em um dia só. Estão incluídas visitas à catedral de Notre-Dame (que dispensa um bom tempo na fila de entrada), alguns cafés famosos e históricos como o Café de Flore ou o Deux Magots (caros e sempre lotados), a famosa (por causa do filme) Pont Neuf, a Sainte-Chapelle, a Sorbonne, Íle Saint-Louis, onde vivem os milionários franceses (incluindo Catherine Deneuve), entre outras sugestões.
3- Marais e Bastilha: Centre Georges Pompidou, Maison Européenne de la Photographie, Musée Picasso, Café Beaubourg, Musée des Arts et Métiers, Musée d’Art et d’Histoire du Judaïsme, entre outras sugestões.[3]
4-Louvre e Champs Elysées: Arco do Triunfo, Champs-Élysées, Jardin des Tuilleries, Musée du Louvre, Opéra Palais Garnier, Petit Palais, Place de la Concorde, Pont des Arts, Galeries Lafayette, etc.
5-Montmartre: Mousée de Montmartre, Place des Abbesses, Place du Tertre, Sacré-Couer.

Próxima Estação, Paris
Um livro fascinante, recentemente lançado pela Paz e Terra, de Lorànt Deutsch (apesar do sobrenome, o autor é francês, mesmo). Como o próprio sub título informa, trata-se de uma viagem histórica pelas estações do metrô parisienses. O tipo do livro apropriado para lhe acompanhar durante a viagem.
“Século por século, somos levados num passeio que mostra que cada nome de estação do metrô e sua localização nos apresentam um cenário da cidade e da França, como numa máquina do tempo. E entendemos que a beleza de Paris não vem apenas de uma elegância clássica e das luzes que a deixam ainda mais encantadora, mas de um respeito cultural por seu passado, ainda mais evidente depois de lermos essa fantástica narrativa de Lorànt Deutsch. Um livro perfeito para quem quer conhecer Paris pela primeira vez ou para quem já é um apaixonado pela cidade e quer saber um pouquinho mais”, informa o editor.

Uai, já está voltando? Se sobrou tempo, vá a rue de Rennes, em Saint Germain (ou Montparnasse) e aproveite para fazer umas comprinhas na FNAC parisiense.
Bom Voyage![4]

Email: gnogueirabh@yahoo.com.br

[1] A sopa, em geral, é o prato mais barato e, acompanhada de pão e uma taça de vinho, dispensa o almoço. Guarde suas reservas para jantar, antes de voltar para o hotel.
[2] PARIS - Guia prático de passeios pela cidade. Laselva Guias. Eu acho que eles têm guias semelhantes para outras cidades.
[3] No Marais existem ótimos restaurantes, alguns bem alternativos (comida indiana, natural, macrobiótica etc.) além de lojas tipo “mercado da moda”, “ponta de estoque” que vendem roupas de grifes famosas, famosérrimas, sem as etiquetas, evidentemente.
[4] Não deixe de fazer uma passeio pelo Sena à noite. Existem muitas opções, inclusive os bateaux bus. Caso queira se presentear, reserve a última noite para um jantar a bordo (você pode comprar o passeio no hotel). Mas, o mais barato é o Calife (dica da minha amiga quase francesa Claudinha), cujo ancoradouro fica no Quais Malaquais, próximo à Pont des Arts.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

VII- Medo de Avião

Pode parecer estranho, mas esta que vos escreve, pretendendo partilhar idéias e sugestões de viagens, tem um medo terrível de avião, melhor dizendo, tem pânico. Contudo, ultimamente isso não tem me impedido de, eventualmente, cruzar o Atlântico em direção ao velho mundo, que é o lugar mais longe aonde, até hoje, consegui chegar. Meço a distância entre um ponto e outro, o de partida e o de chegada, pelo número de horas de vôo.
Tal limitação muitas vezes me paralisou, impedindo lançar-me a vôos mais altos. Nas longas noites insones a bordo de um avião, aprendi a identificar com precisão os meus companheiros de fobia. Alguns deles tomam medicamentos fortes e dormem antes mesmo de o avião decolar. Outros conversam e riem muito alto, em uma tentativa incômoda de demonstrar tranquilidade. São aqueles que ficam contando casos de problemas ocorridos em alguma viagem, e até mesmo de acidentes. Existem os que ficam folheando, desatentamente, uma revista (nunca um livro), e também os que tiram um terço do bolso (ou da bolsa) e simplesmente rezam.
Eu, particularmente, viajo em um estado praticamente catatônico: raramente converso, mas tento ler ou escrever. A impressão que tenho é a de que se eu relaxar, o avião cai. É como se eu o carregasse nos ombros (ai, mea culpa, mea culpa...) Não adianta me falar (e até provar) que é o meio de transporte mais seguro, pois eu continuarei achando que mais seguros são os trens. Sei, também, que uma boa terapia ajudaria muito, mas eu teria que optar: ou gasto com o terapeuta, ou gasto com as viagens. Para ambos, meu dinheiro não dá. Também, se dona Lili Marinho, Oscar Niemeyer, Zeca Pagodinho, Rita Lee, entre tantos outros famosos fazem parte desse clube de medrosos, eu também posso. Afinal, somos todos filhos de Deus.
 No caso dos vôos internacionais, vou seguindo compulsivamente o trajeto do aviãozinho no monitor existente no encosto das poltronas, podendo prever com exatidão os trechos onde as turbulências são frequentes, como ao cruzar a linha do Equador.  Gosto, também, de olhar pela janela, para não me surpreender com as oscilações que ocorrem quando o avião penetra em alguma espessa camada de nuvens ou quando enfrenta uma tempestade. Não gosto de tomar remédios fortes, pois receio ficar sem ação, em caso de necessidade. Não bebo mais (como antes), pois já tomei porres homéricos em aviões, e perdi a conta dos micos que paguei por isso. O máximo que faço é tomar alguns comprimidos de Ansiodorom[1] e, alguns dias antes da viagem, começo tomar Rescue[2]. Contudo, não tive ainda a oportunidade de, por medo de avião, segurar a mão de um gato sequer, pela primeira vez.
Evito ao máximo os assentos próximos das asas, pois tenho a impressão de que balança mais. Prefiro sentar-me bem à frente, de onde posso acompanhar todos os movimentos e expressões dos comissários de bordo. Em uma dessas vezes, eu acho que cheguei a constranger um deles, pois pensou que eu estava, insistentemente, seguindo-o com os olhos por outros motivos, que não o de certificar-me de que estava tudo bem com o avião, sob controle. Eu percebi quando ele deixou de me servir e passou a tarefa para a aeromoça.
Enfim, é isso aí. Consegui escrever esse texto fazendo o trecho entre Florianópolis e São Paulo: nem vi o tempo passar.
Email: gnogueirabh@yahoo.com.br






[1] Medicamento homeopático produzido pelo laboratório Veleda, composto por Passiflora alata, Valeriana officinalis e Avena Sativa, usado principalmente em casos de insônia e ansiedade.

[2]O Rescue Remedy é o remédio de emergência das essências Florais de Bach aplicado em momentos delicados e situações difíceis. É fabricado em qualquer farmácia natural.



quarta-feira, 15 de junho de 2011

VI- Casos e coisas de mulher que viaja só



Maura Faletti: roteiro fashion em Milão. Quando for viajar pela Itália, reserve pelo menos uns dois dias para conhecer Milão, um dos grandes centros econômicos da Europa, assim como São Paulo para o Brasil, com um acervo histórico e cultural fantástico. Deixe para fazer suas comprinhas alí, no segundo polo da moda do mundo, disputando a primazia com Paris. Minha amiga Maura poderá acompanha-la. Entre em contato pelo telefone + 39 3495353696.
Lilian: Tragédia de Vênus - Ésse é o nome de um blog muito legal de comportamento, dedicado às mulheres. Dicas interessantes de vários assuntos e temas. Para visitá-lo, acesse http://tragediadevênus.blogspot.com
         
Enilda Sabrina: momentos inesquecíveis -“Se você está visitando a França sozinha, ou se é um casal ou uma família celebrando um momento especial, a fotografia é uma idéia divertida para a criação de lembranças maravilhosas de sua viagem. Reserve a sua sessão retrato romântico em Val Loire, Tours, Paris.  Divirta-se, você está na França!"
           Esse é o recado de Enilda Sabrina, uma nutricionista brasileira que mora em Tours, cuja grande paixão é fotografar, lugares, pessoas em seus momentos mais felizes, “já que estes dias chegam, passam e o que fica são as recordações, imortalizadas pelo olhar de uma pessoa que esteve presente, o fotografo". O site da Enilda é

Cuidado com os tombos – Recentemente, coloquei no Facebook a foto das minhas pernas, arrasadas por um tombo nessas malditas e falsas calçadas ditas portuguesas, existentes em Belo Horizonte. Aqui, andar de salto alto com desenvoltura é um risco. Portanto, incluo aqui o conselho de minha irmã Eliane, e sua amiga Solange, ambas com uma longa trajetória de peregrinações pelo mundo afora. Inclusive pela escolha dos sapatos, é fundamental que a gente tenha boas informações sobre os lugares a serem visitados. Elas me contaram sobre uma amiga, professora de História, que penou para andar pelas calçadas da medieval Toledo, na Espanha, com um salto agulha: é mole?

Apare as unhas – Da mesma Solange, observadora atenta, vem uma outra dica: antes de viajar, apare bem as unhas e escolha uma cor natural, quando não, apenas uma base. Ela tem observado a quantidade de brasileiras, com unhas enormes, pintadas com cores fortes, as quais, segundo ela, devem ter começado a descascar já no primeiro contato com as bagagens, nas esteiras rolantes. O resultado é lastimável e dá uma impressão ruim, em termos de higiene. Você não vai querer, estando na Europa, perder uma manhã ou uma tarde procurando um salão onde possa fazer as unhas. A profissão de manicura é rara por lá e, quando encontrada, o preço pelo serviço é desanimador.

Viagem para Mulheres: Procurem esse site, tem ótimas dicas! É ótimo, também, para nos encontrarmos e tormar consciência de que não somos, definitivamente, uma espécie em extinção. Pelo contrário, somos uma espécie de mulheres muito especiais. Azar de quem não consegue perceber.

Banheiro: McDonalds - Andando por Paris, me deu uma vontade irresistível de ir ao banheiro. Tomei um taxi, voltei correndo para o hotel e mal tive tempo de esperar o elevador. Ao sair novamente, comentei com a recepcionista ter sido aquela, digamos, "aliviada" mais cara da minha vida, pois a corrida havia resultado em onze euros. Ela, então, me deu uma dica fantástica, informando valer para qualquer cidade do mundo: em casos de emergência semelhantes, procure o McDonalds mais próximo. Os banheiros deles estão sempre limpos.

Culotte: calcinha - Se você estiver na França e precisar (ou não) comprar lingerie, vá às lojas Monoprix. Trata-se de uma rede de supermercardos francesa, que vende de tudo, de roupas a cosméticos, de marcas variadas, a preços bem em conta. Eu, particularmente, adorei as calcinhas e sutiãs, com modelos lindos e confortáveis.

Amy Winehouse: no, no, no! - Talvez o espaço não seja apropriado, mas eu queria - se isso fosse possível - que Amy (Winehouse) soubesse que, no Brasil, no dia 23 de julho de 2011, esta que vos escreve, chorou sua partida. No espaço dedicado às mulheres que viajam sozinhas, deixo aqui o tributo a uma menina que, em algum momento de sua curta vida – 27 anos –, tomou o caminho errado, e iniciou uma longa viagem solitária. Mesmo assim, nos deixou um sofrido e belo legado: sua voz e suas músicas. E mais: a consciência de que a vida será sempre curta, não importa o tempo que dure. Portanto,  vamos arrumar
as malas...

Ana Carol: susto em Maceió - "Tenho vontade de escrever sobre os "apertos" que já passei em viagens. Um deles foi em Maceió, quando eu ia do aeroporto pro hotel. O taxista parou o carro no meio da BR, às 2 da manhã, e saiu correndo pro meio do mato. Pensei que fosse sequestro, assalto, sei lá! Rezei, chorei, comecei a me despedir do mundo. rs... Depois o cara voltou (até verde! rs), dizendo que tava com um piriri danado. 'Moça, me desculpa! Isso nunca me aconteceu antes! Agora podemos seguir.' " 

Rita em Marrocos - "Marrocos é um país seguro para qualquer viajante mesmo para mulheres que viajam  sozinhas, como eu! O que geralmente ouço, não só da parte de mulheres, é que não vêm a Marrocos porque têm medo. Mas medo de quê? Serem raptados e trocados por camelos? rsss. Marrocos é um país de gente pobre e  tem problemas. Claro que sim, sobretudo nas grandes cidades onde é preciso ter cuidado,  mas isso acontece por todo o lado não é só em Marrocos."
Quer saber mais? Entre no blog www.darrita.com/marrocos/mulheres-em-marrocos/  , uma portuguesa que vive no Sul de Marrocos e dá um tanto de dicas super legais para quem quiser se aventurar por lá. Eu estou pensando...

Espace des Femmes à Paris - Atenção mulheres: se estiverem em Paris, mais especificamente em Saint Germain des Prés, não deixem de fazer uma visita ao "Espace des Femmes", localizado na rua Jacob, 35. Fica exatamente em frente ao charmoso Hotel D'Angleterre, que funciona no prédio onde viveu Hemingway, nos anos 1920. O Espace des Femmes possui uma livraria e uma galeria de arte, e está constantemente promovendo eventos culturais como concertos, saraus literários etc. Trata-se de uma instituição de caráter feminista, bastante prestigiado pelas intelectuais e artistas francesas.

Email: gnogueirabh@yahoo.com.br


segunda-feira, 16 de maio de 2011

V - Os 11 mandamentos de uma viajante solitária

Com base no que escrevemos nos textos anteriores, selecionamos esses 11 conselhos/sugestões para que uma viajante solitária faça uma ótima viagem. 

1- Não vá para locais onde ficará muito isolada, fora de temporada (praias desertas, reservas ecológicas, cidades muito pequenas).
2- Faça um VTM (Visa Travel Money) e evite os cartões de crédito convencionais.
3- Seja bastante racional na organização da bagagem, evite excessos.
4- Faça um diário de viagem para se distrair e registrar as informações que gostaria de compartilhar quando voltar.
5- Se possível, contrate serviços de transfers para buscá-la e levá-la aos aeroportos ou estações de trem.
6- Faça uma pesquisa anterior sobre os locais que irá visitar e crie seus próprios roteiros.
7- Ande bastante a pé para sentir melhor o "clima" da cidade.
8- Cuidado com comidas exóticas ou muito condimentadas.
9- Se precisar de alguma informação na rua, peça aos idosos, pois eles em geral são muito prestativos e podem "perder tempo" com você.
10- Não saia às ruas com passaporte ou cartões de crédito na bolsa. Não informe a estranhos o hotel onde está hospedada.
11- Leve um bom livro, pois ele será uma ótima companhia.

domingo, 15 de maio de 2011

IV- Florianópolis, bela Floripa

Se você vai viajar sozinha aqui no Brasil, planeje logo uma estadia em Florianópolis, melhor dizendo, Floripa. Você irá conhecer uma bela face do País, principalmente na primavera ou verão, quando poderá desfrutar das belas praias, situadas ao Norte ou ao Sul da Ilha. Poderá comprovar, também, que um outro mundo é possível, ele existe, e está bem aqui. Espero, de coração, que a “fantástica” exposição provocada pela novela da Globo não venha interferir, negativamente, nesse paraíso.

Não tem miséria?
Calçadão da Av. Beira-mar e sua ciclovia com mais de 10 km.
Ao chegar, percorrendo o longo caminho até o hotel aonde iria me hospedar, no Centro da Cidade, fui observando atentamente a periferia, perscrutando o alto dos morros e me perguntando: onde estão os pobres? Será que “maquiaram” a Cidade? Nada de favelas, nada de barracos encarrapitados uns sobre os outros, nada de esgotos a céu aberto. E assim foi, durante a minha curta temporada (seis dias): nenhuma manifestação explícita de miséria, pessoas pedindo esmolas, dormindo nas ruas, chafurdando o lixo, meninos de rua, bêbados, drogados ou prostituição. Da mesma forma, não percebi nenhum policiamento ostensivo nas ruas ou no trânsito. Não vi nenhum indício de desemprego, como camelôs, vendedores ambulantes. O ruído estridente e constante das sirenes da polícia ou das ambulâncias, também indicadores de violência, raramente nos importuna.
É uma cidade onde as pessoas ainda pedem (e recebem) carona, com segurança.

Pessoas cordiais e educadas
O que encontrei nessa cidade (limpíssima), com pouco mais de 400 mil habitantes, a capital brasileira com o melhor índice de desenvolvimento humano (IDH), da ordem de 0,875, foi uma população bonita, absolutamente cordial e educada, bastante orgulhosa dessa posição. José, um dos garçons do hotel onde eu estava hospedada, por exemplo, respondeu com precisão à minha constatação de que não havia meninas se prostituindo no calçadão de mais de 10 quilômetros da linda avenida Beira-mar, como se evidencia em outras capitais, do Nordeste, sobretudo. “Aqui o Conselho Tutelar atua, senhora”. Já um motorista de táxi explica que a população mais pobre sobrevive da pesca abundante, principalmente de frutos do mar e, mais recentemente, das “fazendas de ostras”. Fica aí a dica para a preferência gastronômica.
Em várias áreas há falta mão-de-obra, como na construção civil, e as empreiteiras estão recrutando-a em outros estados. O taxista, no entanto, mostra sua preocupação com os primeiros casos de crack que estão começando a surgir.  Sei, também, por um livro que relata os costumes em Floripa,[1] que, historicamente, pelo menos até os anos 1960[2],  havia uma forte segregação racial, quase mesmo um apartheid. Não posso afirmar, pelo menos não percebi nenhuma manifestação nesse sentido, se isso ainda acontece. É evidente, contudo, que a população negra ou parda é bem menor.
Imperdíveis
Florianópolis possui uma rede hoteleira ampla, com hotéis de várias categorias, cujos preços são inferiores aos do Rio de Janeiro e de algumas das capitais do Nordeste. Possui muitas opções de pousadas, sobretudo na linda Lagoa da Conceição, cerca de 14 quilômetros distante do Centro, próxima das praias Joaquina (preferida pelos surfistas) ou Mole, para quem curte um mar mais calmo.
Na Lagoa, se você gosta de boa música, blues e jazz, principalmente, não deixe de fazer um happy hour no Sintonia – música e café. A dona de lá é uma DJ e consultora musical que irá lhe “aplicar” raridades incríveis[3]. Durante o dia, poderá caminhar pelas ruas e admirar o trabalho das rendeiras.
Caso esteja hospedada no Centro, para evitar os R$30,00 do táxi até a Lagoa, dê preferência aos ônibus executivos, que circulam de hora em hora, são confortáveis e só se paga R$5,00. E, na avenida Beira mar[4], dê preferência ao chope gelado do Buteco da Ilha[5].  Nessa mesma avenida, existe um trapiche de onde saem passeios de barco a preços razoáveis.
A Praça XV, com o Palácio Souza e Cruz, visita obrigatória
Finalmente, reserve um bom tempo para visitar, tranqüilamente, o centro histórico de Floripa, a começar pela Praça XV de Novembro, onde estão situados o belíssimo Museu Histórico de Santa Catarina - Palácio Souza e Cruz -  e a Catedral. Daí, seguir para o prédio da antiga alfândega, onde está localizado um centro de artesanato e, nas proximidades, o mercado municipal, com dezenas de quiosques que abrigam bares e restaurantes cuja especialidade são os frutos do mar.
E:mail  gnogueirabh@yahoo.com.br

[1] MEDEIROS, Ricardo. No tempo da sessão das moças. Insular, 2ª ed., 2010. Florianópolis (SC).
[2] De acordo com os dados do censo demográfico de 1960, apenas 10% da população era formada por pretos e pardos, descendentes de escravos que se instalaram na Capital catarinense no século XVIII.
[3] Eu fui “aplicada” nas cantoras Bia Krieger (se pronuncia Biá), Eliane Elias e Ana Krüger.
[4] A avenida Beira-mar Norte, com sua ciclovia e os modernos arranha-ceús, foi edificada sobre os aterros da baía Norte.
[5] Eles possuem filiais na Lagoa da Conceição e na praia Jurerê Internacional, onde muitas externas da novela da Globo foram gravadas.