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domingo, 4 de novembro de 2012

Sozinha, e daí?


Recentemente, por coincidência, encontrei uma mulher viajando sozinha, cuja iniciativa foi tomada por influência de nosso[i] blog. Ela e o marido haviam programado uns dias de férias, mas, na última hora ele roeu a corda. Ela, então, pela primeira vez, decidiu manter os planos, pois, no trabalho não teria outra oportunidade. “R” foi parar em Santo André, no sul da Bahia, onde eu me encontrava, e Simona, a dona da pousada onde ela estava hospedada, nos apresentou. Foi super legal!
Durante alguns dias, antes de sermos apresentadas, eu observei a moça caminhando só pela praia, em um lugar onde há pouco a se fazer, fora de temporada, mas ela não me parecia entediada. Quando nos conhecemos, ela me confessou que, no fundo, estava mesmo querendo curtir aqueles dias sozinha, acordar na hora que bem entendesse sem o marido apressando-a para que não perdesse a hora do café, a hora dos passeios, entre outras implicâncias frequentes em uma rotina de mais de 10 anos de casamento.
“Seu blog me deu força para que eu decidisse fazer essa viagem sozinha”, me disse “R”, assim como várias outras mulheres que nos escrevem, diariamente, ávidas de dar o primeiro passo. Aliás, alguns homens também estão nos escrevendo, e são até seguidores do Blog.
Mas eu tenho percebido, até por mim mesma, que um grande obstáculo para a mulher que quer viajar, ou sair sozinha, é a timidez. É quase que uma vergonha, introjetada sobretudo naquelas que já ultrapassaram a faixa dos 50 anos, no sentido de que estar só, sem uma companhia masculina, é sinal de que foi rejeitada, ficou pra titia, solteirona, coroa etc. Ou, então, está se oferecendo quando senta-se em um bar ou qualquer outro recinto público, desacompanhada.
 Por causa disso, eu fumei mais de 30 anos. Era sair à rua sozinha e acender um cigarro atrás do outro. O cigarro foi meu companheiro inseparável por três décadas e teria me matado se eu não tivesse parado com o vício a tempo. Afinal, o cinema, sobretudo, vendia a imagem de mulheres fortes, independentes, seguras, lindas, sempre com um cigarro na mão. Mas, graças a Deus, esses tempos, em todos os sentidos, já eram. E para que você se sinta bem, e não fique com aquela cara de quem está esperando alguém que não virá, aqui algumas dicas, inclusive bastante utilizadas pelos homens:
1-      Durante a viagem, deixe para atualizar seus e:mails nos bares ou restaurantes. Também pode “tuitar”. Nada de telefonemas, a não ser que seja realmente necessário. Leve seu pequeno notebook, tablet ou smartfone com você.
2-      Esteja acompanhada de um bom livro, jornal ou revista. Nada de livrinhos de palavras cruzadas ou similares.
3-      Fotografe! Escolha um tema e se dedique a ele: janelas, postes, pássaros etc. etc. Não fotografe crianças, em nenhuma hipótese, principalmente na Europa, pois poderá ser mal interpretada.
4-      Se for a um bar à noite, sente-se no balcão. No mínimo, você vai puxar um bom papo com o barman. Se for de manhã, ou à tarde, escolha uma mesinha do lado de fora e peça um café e uma taça de licor. O garçom vai achar você o máximo e irá tratá-la muito bem.
5-      Os bares com música ao vivo onde se toca jazz ou blues são muito intimistas e é possível que você encontre vários outros aficionados, de ambos os sexos, sozinhos.
6-      Use roupas e sapatos confortáveis, mais clássicos, nada que chame muita atenção. Faça o tipo despojado chique, nada de fazer como as americanas que saem para um passeio com roupas e tênis parecendo que vão disputar alguma Olimpíada. Um chapéu de palha masculino cai bem.
7-      Respeite, absolutamente, os costumes locais. Eu, por exemplo, chamei um motorista de táxi de “moço”, em Lisboa, e ele ficou ofendido, quase me colocou para fora do carro. A nossa informalidade brasileira às vezes incomoda.
8-      Finalmente, e principalmente, não se sinta como se fosse o centro das atenções, porque você não é. Você está apenas se divertindo sozinha, conhecendo outros lugares, outras pessoas (quando for o caso), ninguém tem nada com isso: boa viagem!


[i] Eu me refiro ao blog no plural, pois entendo que ele pertence a todas nós.